“Ter um negócio 100% digital é um caminho que demora”

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Criada há oito anos, a reputação da marca Watch Garage foi construída ao longo de anos de trabalho online. A transição para um espaço físico em parceria com o relojoeiro Pedro Soares (Atelier do Relógio) permitiu ampliar a experiência oferecida aos clientes, com a perspetiva da realização de eventos e workshops, tudo num ambiente acolhedor para os amantes de relógios.

A presença puramente online foi um desafio? 

A confiança é fundamental. Essa é a dificuldade de trabalhar online. Demora, porque tem de ser construída, é algo que vem dos teus clientes. Há cerca de dois anos, via pessoas em fóruns, a questionar se era seguro comprar um relógio à Watch Garage. Uma das coisas que me fez o clique, que disse: “pronto, consegui”, foi quando via pessoas a fazerem essas perguntas e alguém respondeu: the good guy from Porto. Depois é manter e continuar a trabalhar. Um cliente a quem vendes um relógio, pode fazer um post e atingir 10 mil pessoas. Uma audiência muito grande.  

Como é que foi sair de uma experiência totalmente digital para um mundo físico? 

Tinha todos os anos pessoas a visitar o Porto que já me conheciam ou tinham ouvido falar de mim e, quando chegavam, perguntavam onde era a minha loja. Nos últimos anos o meu negócio cresceu muito. Quando os meus amigos vinham ao Porto, tinha de andar sempre com a casa às costas. Não é prático, nem é seguro. Acabou quase por ser inevitável abrir um local em exclusivo para esta finalidade. Conhecia quase toda a gente dos relógios em Portugal. Por exemplo, o Pedro, com quem fiz esta parceria, já trabalhava com ele há sete ou oito anos. Acabou quase por ser uma progressão natural.  

Qual foi o conceito, o mood, para criar este espaço? 

“Não deixes ninguém chamar isto de uma loja” foi um dos comentários de um amigo que veio de Lisboa à inauguração. As pessoas podem vir aqui mesmo que não seja com a intenção de comprar nada. Aqui temos tempo e espaço para conviver, partilhar experiências, dúvidas, sugestões. As pessoas podem vir cumprimentar, tomar um café, beber uma água, ler um livro… e falar sobre relógios. Não queremos ser um clube privado, mas queremos mais intimidade que uma loja, onde as pessoas entrem, estão entre amigos e desfrutam do espaço. Quem quiser vir aqui não tem de marcar hora, está aberto a todos.  

Entrevista completa na JoiaPro 97.

21 de Novembro, 2024
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