Portugal Jewels reabre espaço de 1819

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Em 1760, por decreto real, uma rua da Baixa pombalina foi destinada aos ourives e joalheiros de Lisboa. Quase seis décadas depois, em 1819, um mestre gravador abriu no número 157 a primeira oficina de selos e carimbos do país. No final do século XIX, a casa detinha o alvará da Casa Real Portuguesa. Em 2025, com o anterior proprietário a preparar a reforma e sem sucessão, a casa de 200 anos foi vendida e reabre agora como a segunda loja de Lisboa da Portugal Jewels.

É a segunda vez em dois anos que a Portugal Jewels escolhe restaurar em vez de abrir de raiz. Em maio de 2025, reabriu a Barbearia Campos, no Largo do Chiado, fundada em 1886, preservando balcões e mobiliário originais dentro de uma joalharia em funcionamento. A Rua Áurea soma-se ao gesto: duas ruas históricas de Lisboa, mantidas abertas pela mesma marca.

Com produção inteiramente sediada no Norte de Portugal através de uma rede de ourives independentes, a Portugal Jewels mantém o compromisso de recusar a industrialização. A nova loja é a manifestação física dessa filosofia. Onde outrora se gravavam carimbos, hoje habita a joalharia, mas a marca optou por manter intacto o testemunho do tempo: a fachada, a estrutura e as marcas que o espaço preserva.

A concepção do espaço é de Ricardo Preto, que assina aqui a sua primeira loja de joalharia. O interior é integralmente revestido a Chita de Alcobaça, o tecido estampado do século XVIII das casas de campo e dos enxovais portugueses. Pratos da Fiação Ratinho e cestaria de vime tecida à mão completam o conjunto, sobre mobiliário restaurado. Os padrões florais, as cores, os materiais – tudo remete ao universo doméstico para o qual a joalharia portuguesa foi originalmente feita: as casas, as festas, os enxovais.

“Quis que quem entrasse aqui sentisse que está dentro de uma casa portuguesa, não numa loja. A chita, os pratos, o vime: é a memória doméstica que enquadra a joalharia”, refere Ricardo Preto.

A fachada mudou ao longo de dois séculos; o restauro manteve o que restava. Os painéis de vidro exteriores foram repintados à mão num estilo de época inspirado nos originais, fiéis ao desenho original do início do século XX.

De acordo com Alexandre Bastos, “A Portugal Jewels existe no ponto de encontro entre o antigo e o novo: técnicas portuguesas tradicionais, feitas para a forma como se vive hoje. O edifício de 1819 é a mesma ideia em forma física”. 

Em 1760, a rua foi destinada aos ourives. Mais de dois séculos depois, a joalharia regressa à Rua Áurea através de uma casa que sobreviveu ao reino que a moldou.

21 de Maio, 2026
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