“Deixo o convite para que se juntem a nós”

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João Faria, presidente da Associação de Ourivesaria e Relojoaria de Portugal (AORP), faz o convite às pessoas que trabalham no retalho para se juntarem à AORP: “Precisamos de ter mais gente do retalho, que nos dê feedback sobre essa secção e nos possa ajudar a analisar e a compreender melhor as necessidades dessa área”, refere. “Deixo o convite para que se juntem a nós, que nos abram as portas das vossas lojas e se façam ouvir”, acrescenta.

Relativamente ao estrangeiro, em que patamar se encontra a ourivesaria e relojoaria portuguesa? 

No que diz respeito à indústria, Portugal está no topo da cadeia. Apesar de não termos grandes estruturas, como por exemplo as italianas e chinesas, somos muito competentes. Hoje temos um leque de 20 empresas industriais que têm a capacidade para trabalhar para qualquer marca do mundo. Embora, às vezes, essas marcas exijam uma estrutura que a empresa portuguesa não tem, como não tem o café português, como não tem o restaurante português, que é um grande nível logístico, o que nos pode condicionar.  Contudo, com tempo iremos chegar a esse nível. Apesar de poder demorar, é necessário que o façamos, porque quando isso acontecer ficamos tranquilos para sempre, porque passaremos a ter encomendas que nunca mais acabam e que são altamente rentáveis, com pagamentos e recebimentos facilitados e tempos médios de espera muito baixos. Já relativamente ao saber-fazer, estamos no topo do mundo, sem dúvida nenhuma! 

Como descreveria então a ourivesaria/joalharia portuguesa? 

Penso que só falta uma coisa à joalharia portuguesa. Além da parte estrutural, que é transversal a todos os setores, acho que falta essencialmente organização. Organizar as coisas, não falhar e não pensar só em desenrascar. Uma das coisas que foi mais desafiante no processo de internacionalização da minha empresa foi, de facto, a organização. Perceber como iremos corresponder ao aumento do volume de negócio, às encomendas, à complexidade das encomendas. O segredo foi criar uma plataforma que gerisse tudo isso. Hoje temos uma plataforma que gere tudo o que acontece na Farilu, desde a folha de papel A4 até ao anel de alta joalharia. Portanto, é um caminho que tem de se fazer sem medo. Temos de estar constantemente a investir, a modernizar. Numa frase, poderia dizer que na joalharia portuguesa somos extremamente competentes naquilo que é o saber-fazer, mas precisamos de mais organização e de “show-off”, fazer como se faz lá fora, mostrar aquilo em que somos bons! 

Que mensagem gostaria de deixar a todos os nossos leitores?  

Convido as pessoas que trabalham no retalho a juntarem-se à AORP. Sei que muitas vezes, até por culpa nossa, de quem esteve e está na associação, olhamos sempre para uma vertente de indústria da joalharia e não para as suas outras vertentes, muito porque as raízes da AORP sempre se focaram num âmbito industrial. Aliás, a associação nasceu apenas com industriais e só depois é que se abriu a outras ramificações do negócio. Mas, na AORP, precisamos de ter mais gente do retalho, que nos dê feedback sobre essa secção e nos possa ajudar a analisar e a compreender melhor as necessidades dessa área. Por isso, deixo o convite para que se juntem a nós, que nos abram as portas das vossas lojas e se façam ouvir. É isso que faz falta na associação: ter uma maior representatividade, no que diz respeito às lojas e ao retalho do setor! 

Leia a entrevista completa na edição 95 da revista JoiaPro.

 

3 de Maio, 2024
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