Estudo da Deco causa revolta na APIO

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Um estudo da Deco Proteste sobre os investimentos em ouro causa revolta da parte da Associação Portuguesa da Indústria da Ourivesaria, que considera o estudo tendencioso.

O estudo em causa, com o título “Negociar em ouro: perdas garantidas para investidores”, data de 22 de outubro deste mês e revela que há uma tendência para os investimentos em ouro alcançarem perdas imediatas na casa dos 15 a 25 por cento, visto que o preço por grama caiu de 44, 35 euros para 31, 80.

Os investigadores da Deco afirmam mesmo que, só num dia, um investidor “pode perder 40 por cento do seu património”.

Como explicação, a “compra de ouro é uma salvaguarda em caso de crise muito grave”, mas é “um investimento sem rendimento”.

A Deco pondera que as barras de ouro são a melhor opção neste aspeto, visto que medalhas, moedas e joias têm avaliação mais subjetiva ou artística.

O estudo baseou-se numa investigação protagonizada pela mesma agência, no qual entre agosto e outubro do ano passado foi comprando e vendendo ouro em instituições como a Caixa Geral de Depósitos, Millenium BCP, BES, Santander Totta, BPI e Gold Direct.

Concluíram que “investir em ouro físico é caro”, especialmente nas casas dedicadas onde há sempre perda.

“No mesmo dia, o mesmo consumidor recebeu uma cotação de 19,14 euros por grama num sítio e uma cotação de 27,34 euros noutro estabelecimento. É uma diferença de 42,9 por cento. E ambas estavam longe da cotação indicativa do Banco de Portugal para esse dia: 31,71 euros”, lê-se no estudo.

Estes montantes díspares devem-se ao valor que as instituições pagam ou pedem pelo ouro, cotações muito abaixo ou acima das referências do Banco de Portugal, que se basei no preço fixado diariamente no mercado de Londres.

A DECO aconselha a que todas as instituições ligadas a este comércio que afixem diariamente o preço de compra e venda do ouro como também a cotação da referência.

Os operadores devem estar registados no Banco de Portugal e ter formação mínima de metais do Instituto Nacional – Casa da Moeda e Banco de Portugal.


Reação da APIO

Face ao estudo, a Associação Portuguesa da Indústria da Ourivesaria teceu duras críticas, na escrita do presidente Carlos Caria, aos resultados publicados, afirmando que não foi contactada para participar na investigação, visto que a sua contribuição ajudaria a “evitar que o mesmo se revelasse tendencioso e omisso transmitindo-se uma imagem incorreta de um dos investimentos mais seguros que se pode realizar” e afetando “todo o setor negativamente”.

A mesma instituição reforça a ideia de que investir em ouro é um bom negócio visto que “se recuarmos a 2003, encontra-se um preço de referência médio do ouro de 10,333€”, pelo que se tivermos “em conta a cotação indicativa do Banco de Portugal seguida no estudo (31,71 euros), concluir-se-á que o seu valor mais do que triplicou”.

A associação chama também a atenção para a referência libra, “esquecendo-se de referir no estudo que uma libra, para além do valor intrínseco do ouro, tem também o custo da sua elaboração, aquilo a que no sector se denomina “o preço do feitio” o que torna a peça mais onerosa”.

A referência pelo que qual o estudo se baseia, a do Banco de Portugal, causou dúvidas na APIO pois a que é “normalmente utilizada é o London Gold Fixing”, cuja “utilização desse valor alteraria os números obtidos no estudo”.

O único aspeto que ambas as entidades concordam é a necessidade de regulação das casas de compra e venda de ouro, nomeadamente as redes de ‘franchising’, onde “reina uma completa desregulação”.

No entanto, a associação frisa que já existe uma proposta submetida à Assembleia da República no âmbito da criação destas leis.

Uma peça de joalharia tem uma percentagem no qual a avaliação se baseia, mas outros fatores como “a existência de pedras preciosas ou o valor histórico e artístico da peça” devem ser tomados em conta, “mas para isso são necessários conhecimentos profundos sobre a matérias e as lojas de compra e venda de ouro” não são detentoras destas formações.

A APIO finaliza esta carta aberta afirmando que o “ouro português é e será sempre um bom investimento”.

Veja a opinião de outros profissionais numa das próximas edições da JoiaPro.

 

31 de Outubro, 2013
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