Metais preciosos disparam para máximos históricos
O ouro ultrapassou a fasquia dos 4.600 dólares por onça, estabelecendo um novo recorde absoluto, enquanto a prata se aproximou dos 85 dólares por onça, níveis nunca antes observados nos mercados internacionais. O rally reflete uma mudança significativa no posicionamento dos investidores, num contexto de elevada incerteza institucional e monetária.
A pressão compradora ganhou força após declarações do presidente do Fed, Jerome Powell, na sequência de uma ameaça de ação judicial por parte do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, um episódio que levantou dúvidas sobre a autonomia do banco central norte-americano. A possibilidade de interferência política na condução da política monetária levou os mercados a reavaliar riscos sistémicos e a reforçar a exposição a ativos considerados reservas de valor.
Analistas salientam que o atual ambiente combina vários fatores estruturalmente favoráveis aos metais preciosos: expectativas de cortes nas taxas de juro, enfraquecimento do dólar em determinados segmentos e aumento da volatilidade nos mercados acionistas e obrigacionistas. A redução do custo de oportunidade de deter ouro — que não gera rendimento — tende a amplificar o interesse dos investidores institucionais.
No caso da prata, além do seu papel como ativo financeiro, o desempenho é também sustentado pela procura industrial, nomeadamente nos setores da transição energética e tecnologia, o que reforça a pressão sobre a oferta num mercado já estruturalmente apertado.
Este movimento ocorre num quadro mais amplo de tensões geopolíticas, fragilidade macroeconómica e crescente sensibilidade dos mercados à credibilidade das instituições monetárias, fatores que continuam a sustentar uma perspetiva construtiva para os metais preciosos no curto e médio prazo.
13 de Janeiro, 2026
Atualidade