“Queremos aproximar ainda mais o setor”

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João Faria é vimaranense e nasceu no seio de uma família de joalheiros. Atual presidente da Associação de Ourivesaria e Relojoaria de Portugal (AORP) refere que pretende “aproximar ainda mais o setor” e “abri-lo mais ao mundo”. Apesar de estar consciente dos desafios, o responsável quer que as empresas saibam que a AORP está presente e pretende ajudar o setor a evoluir.

Quais os principais desafios que encontrou neste cargo? 

O maior desafio era, sem dúvida nenhuma, fazer diferente. Não criticando aquilo que os outros fizeram, pois devemos estar sempre ligados ao legado que nos deixam e ao passado, mas sempre com os dois olhos no futuro. Como tenho uma empresa que fez o processo, ainda que lento, de internacionalização durante 10 anos, em que as coisas correram bem, considero que tenho o know-how para ajudar os colegas a fazerem isso. Portanto, foi nesse intuito de tentar melhorar, de inovar e ajudar os colegas que me fez candidatar e foi, sem dúvida, esse o maior desafio até agora. 

Que balanço faz até agora da presidência? 

Este foi um ano extremamente difícil, primeiro porque ser presidente e ser diretor é completamente diferente. Neste caso, a responsabilidade, o tempo despendido e as representações são maiores e, portanto, isso cria alguns problemas. Contudo, na AORP, delegamos muito dentro da direção. O que fizemos durante este primeiro ano de mandato foi focar-nos naquilo que é a direção do setor, perceber este mercado, o que ele será daqui a quatro, cinco ou 10 anos e tentar estar na crista da onda para corresponder às expectativas de cada um. O setor da joalharia a nível mundial é extremamente pequeno. Existem muitas lojas e sites, imensas plataformas de venda, mas na realidade o setor é extremamente pequeno. As pessoas que vemos nas feiras de Hong-Kong são as mesmas que vemos em Itália, em Las Vegas, em Madrid, portanto, são sempre os mesmos e isto cria aqui uma dificuldade, porque o setor fecha-se muito. E o nosso propósito maior, enquanto associação do setor, é que ele se abra, que se possa discutir com os associados aquilo que são as pretensões e as suas necessidades, em que é que a AORP os pode ajudar. Esse é o nosso maior propósito e também maior desafio. Aquilo a que nos propusemos foi iniciar o caminho da internacionalização das empresas portuguesas, a participação consistente nos projetos de investimento financiados, apoiar naquilo que são os licenciamentos das empresas, naquilo que as empresas precisam de nós, que é para isso que cá estamos. Já por isso é que somos a associação mais representativa deste mercado. Aquilo que fazemos é servir o nosso setor. O nosso slogan era “Nós estaremos onde você quer que estejamos”, e é exatamente isso! Fizemos também uma coisa muito interessante que tem a ver com o nosso slogan: descentralizar as reuniões. Fazemos muitas reuniões em empresas, em várias partes do país, para termos oportunidade de escutar todos. 

Que projetos têm pensados para este ano e para o próximo? 

Acima de tudo, queremos aproximar ainda mais o setor e fazer com que este se abra mais ao exterior. É nosso papel também incentivar e cativar pessoas a trabalharem no setor. Temos o Instituto de Emprego e Formação Profissional com muita gente de outras áreas que poderia começar a trabalhar no setor da joalharia. Mas, para isso, é necessário fazermos campanhas de marketing e comunicação para cativar essas pessoas no sentido de as trazer até nós. Mostrar-lhes que este setor é interessante, é artístico e mais bem remunerado. Além disso, temos um programa estruturado desde o início do mandato que queremos continuar a cumprir, mas, acima de tudo, o nosso papel passa muito pela comunicação. É esse o nosso marco. Não a comunicação global e social da AORP, mas essencialmente a comunicação com os associados, desde fazermos sessões de esclarecimentos sobre a situação financeira da AORP, sessões de esclarecimento sobre a forma como devemos participar nos projetos, incentivar novas empresas a serem associados para poderem participar nesses mesmos projetos, ensinar como tratamos a dinâmica dos projetos, o que é que pode e não pode acontecer… temos feito isso com grande frequência e importa continuar. Esse é o nosso papel. Queremos ser sinceros com os nossos associados, ser consistentes e trabalhadores, cumprindo aquilo a que nos propusemos.  

Leia a entrevista completa na edição 95 da revista JoiaPro.

22 de Abril, 2024
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