“Estamos num mercado intenso”

JóiaPro · É difícil actualizar um negócio com três décadas?
Fernando Rilhó · Torna-se bastante simples, quando se tem um conceito e uma cultura de empresa bem definidos. Desde sempre, crescemos a um ritmo equilibrado e consciente, com os olhos postos na qualidade e no rigor de todo o trabalho. Porém, a Ourivesaria Atlantis passou por várias fases durante estes anos. Quando nos estreámos no mercado utilizávamos, por exemplo, as caixas dos relógios para preencher os espaços vazios nas montras. Na década de ‘90, bastava termos a porta aberta para conseguirmos vender tudo. Já no novo milénio, altura em que o ‘branding’ ganhou relevo e o cliente se tornou cada vez mais informado e com um leque cada vez maior de opções, passámos a valorizar aspectos como a decoração, a comunicação e a imagem transmitida pelo espaço comercial.

JP· Possuem uma loja em centro comercial. Acha que o negócio nas grandes superfícies é distinto daquele que se pratica em loja de rua?
FR· Sim, existem algumas diferenças entre os dois tipos de negócio. Apesar do panorama actual menos positivo, que gerou uma maior desconfiança entre os consumidores, as grandes superfícies continuam a constituir os principais palcos do comércio nacional. Os grandes centros caracterizaram- se sempre pelas compras impulsivas e pela enorme quantidade de oferta disposta ao consumidor. Já o comércio de rua enfrenta duas grandes ameaças, a insegurança e a perda progressiva do ‘target’ entre os 18 e os 30 anos.

JP· Actualmente, detêm três lojas Atlantis. Pretendem abrir mais algum espaço?
FR· Sim, vamos continuar a crescer, mas sempre de forma sólida e consciente. Planeamos avançar brevemente para fora do Barreiro, pois queremos arriscar noutros locais e noutros segmentos de mercado.

JP· Qual tem sido o ‘feedback’ dos consumidores em relação ao conceito Atlantis?
FR· A receptividade dos consumidores face ao nosso conceito revela-se bastante positiva. Existe uma aproximação de clientes de várias idades e uma ligação próxima e fiel com aqueles que nos acompanham ao longo dos anos.

JP· Como descreve o mercado português de ourivesaria e joalharia?
FR· Desde os fabricantes aos próprios retalhistas, é um sector que ainda se caracteriza pelo tradicionalismo, tanto no uso de tecnologias, como nos processos de gestão. Mostra-se um sector algo “envelhecido”, com poucos jovens a ingressar neste ramo. Contudo, temos um potencial enorme, tanto pela capacidade da nossa mão-de-obra, como pelo elevado toque nacional do ouro.

JP· Que estratégias se devem implementar para cativar os profissionais mais jovens?
FR· Com a exigência cada vez maior por parte dos consumidores, precisamos essencialmente de actividades de apoio e de formação para este ramo em concreto. Creio que falta algum empreendorismo.

JP· A concorrência existente no sector é também cada vez mais feroz…
FR· Sem dúvida, estamos num mercado intenso e que sofre alterações constantes, principalmente devido a questões de segurança. A concorrência é, de facto, agressiva e a estratégia do preço a mais utilizada. Torna-se fundamental a criação de uma identidade própria para a empresa, que a permita distinguir-se face às restantes.

 

Leia a versão integral da entrevista na edição 35 da JóiaPro

10 Dezembro 2010
Entrevistas

Notícias relacionadas

Carlos Caria em entrevista

No final do seu quinto mandato como presidente da Associação Portuguesa da Indústria de Ourivesaria (APIO), Carlos Caria manifesta esperança de que as novas gerações ligadas ao setor da joalharia o projetem nos trilhos da inovação e prestígio no estrangeiro.

Ler mais 20 Março 2020
Entrevistas