Portugal, destino de luxo? Depende de quem responde 

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Fabricantes, retalhistas, associações e representantes de feiras reuniram-se para discutir se o nosso país é (ou pode vir a ser) um destino de luxo na ourivesaria, como mudou o consumidor nas últimas duas décadas e o que falta para o “fabricado em Portugal” se tornar, de facto, uma marca de prestígio.  

Foi a 22 de julho que demos corpo ao III Encontro JoiaPro, iniciativa que juntou 27 profissionais do ramo da ourivesaria e joalharia num almoço de trabalho dedicado à partilha de ideias, experiências e desafios do setor. Pelo Hotel Solverde Spa & Wellness Center, em São Félix da Marinha, passaram fabricantes e armazenistas, lojistas, marcas, instituições e parceiros ligados à área. O objetivo passou por reunir alguns profissionais do setor, de forma a entender o panorama atual e a dinâmica do setor.

Os temas em cima da mesa 

Num encontro que juntou várias gerações do setor, desde nomes com décadas de fábrica e balcão a jovens que cresceram literalmente dentro das oficinas dos pais, a conversa percorreu três eixos: Portugal como destino de luxo, as transformações no consumo desde o início do século, e o valor (ainda por explorar) do “made in Portugal”. O resultado foi um retrato honesto, por vezes contraditório, de um setor que se sabe tecnicamente excelente, mas que ainda hesita entre o orgulho e a modéstia excessiva. 

Portugal, destino de luxo? Depende de quem responde 

Há um ponto de partida comum: ninguém questiona a qualidade do que se produz em Portugal. No entanto, sobre se o país é já um “destino de ouro no luxo”, as opiniões dividem-se com clareza. Do lado mais otimista, alguns participantes sublinharam que o mercado de joias e relógios é hoje o motor de crescimento do luxo em Portugal, com o gasto médio em compras de categoria exclusive a rondar os 72 mil euros e mercados como o Brasil e a Europa a crescerem cerca de 30%, ao lado de um mercado norte-americano que continua a liderar, ainda que em ligeiro abrandamento.

Do outro lado, houve quem fosse categórico a discordar. Para um dos intervenientes, “ninguém vem a Portugal comprar luxo português”; Portugal seria, quando muito, um destino de “vivência e experiência diferente”, mas não de luxo, e muito menos de luxo em joias. Na sua leitura, mesmo os portugueses, quando procuram uma joia de prestígio, olham primeiro para a marca (estrangeira) e só depois para a peça. 

Outro participante reforçou esta tensão de forma quase provocatória: grandes marcas internacionais fabricam a maioria das suas peças em Portugal, mas escondem essa origem “e isto é cultural: envergonha-nos”. Entre estes dois polos ficou uma terceira leitura, talvez a mais consensual: Portugal tem hoje condições excecionais (tradição, saber-fazer, rigor, capacidade industrial e criatividade) para se afirmar como destino de excelência, mas existe ainda um desfasamento entre a qualidade do que se produz e o reconhecimento internacional da marca “Portugal”. O desafio, resumiu-se, não é tanto competir pela extravagância do luxo clássico, mas construir uma proposta assente em autenticidade, exclusividade e experiência. 

Leia a reportagem completa na JoiaPro 105.

9 de Outubro, 2026
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