APIO celebra o talento no 17.º Concurso de Ourivesaria
Criatividade, técnica e visão contemporânea marcaram a mais recente edição, cuja cerimónia decorreu a 12 de dezembro no Museu da Marinha, Lisboa
Criado pela mão da Associação Portuguesa da Indústria de Ourivesaria (APIO), o concurso transformou-se ao longo do tempo numa referência incontornável para o setor, distinguindo peças que cruzam rigor artesanal com linguagem contemporânea, consolidando-se como uma referência no setor, distinguindo projetos de elevado rigor técnico e expressão artística.
Nesta edição, a cerimónia marcou igualmente a abertura da exposição das obras concorrentes no Museu da Marinha, evocando a íntima relação do país com o oceano e com a epopeia dos Descobrimentos. Outro dos pontos de destaque foi a certificação digital UniqueMark®, assegurada pela Contrastaria da INCM a todas as obras a concurso, num gesto que associa tradição centenária à mais recente tecnologia de rastreabilidade, reforçando a proteção do consumidor e a valorização da produção nacional.
O 17.º Concurso de Ourivesaria da APIO provou que a joalharia portuguesa continua a navegar com firmeza entre herança e vanguarda — e que o futuro do setor já está a ser forjado, peça a peça, pelas mãos de uma nova geração de criadores.

Uma edição entre património e futuro
Diana Loureiro, distinguida com o 1.º prémio, descreveu a vitória como um “reconhecimento” que ultrapassa o simples troféu. Para a criadora, a obra apresentada nasceu de uma fusão íntima entre o imaginário naval — cordas, naus, estruturas marítimas — e a sua própria biografia, inspirada pela profissão do marido, ligado durante décadas à indústria das cordoarias. “A inspiração sempre foi a minha vida. Esta é uma peça grande para ser fundição direta e sair perfeita. Foi uma peça que deu muito trabalho, mas é para isso que participo, para aperfeiçoar a técnica. Foi um gosto”.
Rafael Silva, 2.º classificado, aluno do curso de Ourivesaria da Escola EB23 de Vialonga, confessou “o entusiasmo de ver o seu trabalho reconhecido logo na primeira participação”. A distinção teve, para si, “um sabor especial por surgir ainda em fase de formação”, funcionando como “estímulo para continuar a explorar caminhos criativos dentro da disciplina”. A sua peça resultou de uma extensa pesquisa online e de sucessivos esboços, numa construção paciente onde o desenho antecedeu cada decisão formal. Cordas de nau, caravelas e símbolos marítimos foram ganhando forma à medida que a ideia inicial se tornava mais clara.
Já Bernardo Lourenço, vencedor do 3.º prémio, apresentou talvez a narrativa mais épica. Licenciado em Filosofia e atualmente ligado à Joalharia do Carmo, no Porto, explicou que a sua peça, intitulada Além-Mar, foi pensada como metáfora da ousadia de Vasco da Gama e, por extensão, da coragem necessária para se arriscar artisticamente. Bernardo não escondeu as dificuldades: enfrentar a filigrana, técnica que não dominava. “Foi desafiante juntar as pedras de lava vulcânica verdes às vermelhas e encontrar a distância certa do enchimento à terço. Desconstruí toda a peça através do conceito e procurei aplicar as técnicas ao conceito”.
A reportagem completa faz parte da revista JoiaPro 103.
1 de Abril, 2026
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